Terça-feira, Julho 01, 2008

2 novos lançamentos da editora Éblis


Em pouco mais de um ano a Editora Éblis chega ao quinto título dedicado à poesia

Com a publicação de Passeios na floresta, de Ademir Demarchi, e Camisa qual, de Cândido Rolim, a Editora Éblis chega ao quinto título do seu catálogo, confirmando, em pouco mais de um ano de existência, a impertinência do seu projeto editorial: o gesto estético e crítico da publicação de poesia. Contra o pano de fundo do cenário literário contemporâneo, onde o provincianismo é muito ativo e o cult muito cansativo, os dois novos títulos reafirmam o rigor e a unidade do catálogo da editora: um time de poetas que encaram a criação poética como uma sempre confrontação com a linguagem, como um fazer frente à exaustão da linguagem, envolvendo a experimentação e a negação de clichês retóricos.

Em Passeios na Floresta, Ademir Demarchi, paranaense radicado em Santos, sem receio do extravio, se embrenha pelas vias imprecisas da floresta da linguagem, usando a metáfora de Paul Valéry capturada à epígrafe do livro. A partir daí, o poeta alcança a sua errância por meio de efeitos de cálculos, mapeando encontros imprevistos, aqui com Mr. Conrad (imensidão de água sob os pés/ dentro do barco bêbado o mar no convés), ali com Nietzsche (pequenas nuvens no pasto ôntico e ótico) e acolá com o Sangue Ruim (caminhamos como sempre para o grande encontro/ com o imenso Espírito-de-Porco). No extravio calculado, Ademir alcança, como Ulisses, a possibilidade de ter o que contar, em articulações inesperadas, a experiência da linguagem: não, não tenha medo não/ pois o homem em guerra morre em vão/ lançando setas sem osso ao caos/ enquanto o sábio poeta deleita-se nos seios das sereias/ e navega o acaso cantando as naus.

Camisa qual de Cândido Rolim, cearense que viveu alguns anos em Porto Alegre, mas que recentemente voltou para Fortaleza, é um livro grave, onde na superfície árida da palavra o poeta afirma uma paradoxal emoção cética ao se (des)confessar: por dentro repleto/ de outros travos/ deixo que a simples/ distração alcance/ o razoável. Assim que, no poema que dá título ao livro, abre um irritado parêntese à cordeira estridência das patriotadas de domingo: e aquele um equatoriano/ camisa algo que levou/ o drible memorável aquele/ o pano de fundo de/ chão para a ubérrima estridência/ nacional// (...) o quem mesmo? da escalação/ o zagueiro número de cobre às costas sem/ classe = 2 desses não vale 1 nosso/ com quem o craque/ exaltável ao máximo não/ troca a camisa/ nem a pele. É nesse rigor das indagações e no cuidado da forma que o livro de Cândido se faz e nada concede gratuitamente e nem sequer lhe ocorre/ ser bom não livra/ do risco de ser mal/ interpretado.


Os autores:


Ademir Demarchi nasceu em Maringá (PR) em 1960. Reside em Santos (SP). Doutor em Literatura Brasileira (USP), é editor de BABEL – Revista de Poesia, Tradução e Crítica. É autor de Os mortos na sala de jantar (Realejo Livros, 2007) e organizador de Passagens – Antologia de Poetas Contemporâneos do Paraná (Imprensa Oficial do Paraná, 2002). Tem poemas, ensaios e resenhas publicados em jornais e revistas impressos e na internet. e-mail: revistababel@uol.com.br

Cândido Rolim nasceu em Várzea Alegre (Ceará) em 1965. Reside em Fortaleza. É autor de Fragma (Fortaleza: Funcet, 2007), Pedra Habitada (Porto Alegre: AGE, 2002), Exemplos Alados (Fortaleza: Letra e Música, 1998), entre outros livros. Tem poemas, resenhas e ensaios publicados em jornais e revista do país e na internet. e-mail: candidorolim@hotmail.com


(dos editores)

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Quinta-feira, Junho 26, 2008

Lançamento de Leão Lírico, no Rio

Ótima pedida para quem estiver no Rio! A escritora Elaine Pauvolid lançará amanhã, 27 de junho, o seu novo livro de poesias Leão Lírico. O lançamento ocorrerá no auditório do SISEJUFE (Av. Presidente Vargas, 509, 11º andar, Rio de janeiro) a partir das 19 horas e contará com recital e outras atrações. Maiores informações no site pessoal da autora: http://www.elainepauvolid.net/
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Segunda-feira, Junho 23, 2008

Lançamentos mais ao sul


Amanhã, dois eventos imperdíveis:


No RIO:

A escritora Paloma Vidal lança o seu novo livro de contos, Mais ao sul (Língua geral), na livraria Argumento do Leblon, a partir das 19 horas.


E em SP:


Recital Caixa Preta, na Casa das Rosas (Avenida Paulista, n. 37), a partir das 19 horas, com a participação dos poetas Horácio Costa, Virna Teixeira, Élson Fróes, Andréa Catrópa e Claudio Daniel. Além das leituras poéticas, serão lançados três novos títulos da coleção de poesia Caixa Preta, organizada pelo Claudio para a Lumme Editor: Pincel de Kyoto, de Wilson Bueno, Mergulho às avessas, de Andréa Catrópa, e Poemas diversos, de Elson Fróes.

(o flyer do evento e outras informações podem ser acessados aqui)

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Sábado, Junho 21, 2008

"Le Marché des Lices" na UnB

(clique na imagem para ampliá-la)


Ontem, estive na vernissage da minha queridíssima Juliana Hack, jornalista e fotógrafa que vive há alguns anos em Rennes, na França. Ela veio especialmente para apresentar a exposição "Le marché des lices", um belo trabalho fotográfico que registra imagens surpreendentes do tradicional mercado bretão. A última vez que a vi foi em Rennes, num típico dia de outono, com muita chuva e algum frio. Tomamos cidra, comemos crepes e ela prometeu me mostrar uma cidade bem mais colorida em outra ocasião. Bem, menos de um ano depois, ela cumpre a promessa trazendo uma série de fotos que focam principalmente na cor e no movimento. A exposição ficará aberta ao público até o dia 05 de julho, na Biblioteca Central da UnB.
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Exposição fotográfica "LE MARCHÉ DES LICES",
de JULIANA HACK
Quando: de 20 de junho a 05 de julho
na Biblioteca Central da Universidade de Brasília (BCE/Unb)
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PoETs em Brasília

Hoje tem apresentação dos grupos Amepoema e Oipoema na Barca de Brasília. O Oipoema (formado pelos poetas de Brasília: Amneres, Bic Prado, Cris Sobral, Luis Turiba, Paulo Djorge e Nicolas Behr) apresentará poemas e músicas de autoria dos integrantes do grupo. Em seguida, o grupo convidado de Porto Alegre-RS apresenta o espetáculo musical poETs. Ricardo Silvestrin interpreta “O Menos Vendido” e “ex,Peri,mental”, Ronald Augusto vem com Confissões Aplicadas e Alexandre Brito traz “O fundo do ar e outros poemas”.
Ao longo do passeio, inúmeras surpresas animarão o happening que começará durante o pôr-do-sol e o nascer da lua cheia – espetáculo de luzes da cidade e dos céus de Brasília nesta época do ano. Mas atenção: se você não sabe nadar, traga um poema salva-vidas!


Serviço:
Barca Poética com Oipoema e Amepoema
Dias: 21 e 22 de junho (sábado e domingo)
Saída: a partir das 17h.
Localização: Cais do Bay Park Hotel, SHTN trecho 2 lote 5.
Valor do passeio: R$ 40,00 por pessoa
Couvert artístico: R$ 10,00.

Reserve seu ingresso pelo fone:8419 7192 (c/Edmilson)
Pontos de venda autorizados:
Recepção do Bay Park Hotel.
Café com Letras: SCLS 203 sul BL. C loja 19, 61-33224070.
Flor de Lótus: SCLN 102 norte Bl. A loja 102, 61-33269763.

Maiores informações:
Barca Brasília
http://www.barcabrasilia.com.br/
e-mail para: passeio@barcabrasilia.com.br

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Segunda-feira, Junho 16, 2008

SP: Recital Caixa Preta na Casa das Rosas

(clique na imagem para ampliá-la)

RECITAL DA CAIXA PRETA

A coleção de poesia Caixa Preta, organizada por Claudio Daniel para a Lumme Editor, tem três novos títulos publicados: Pincel de Kyoto, de Wilson Bueno, Mergulho às avessas, de Andréa Catrópa, e Poemas diversos, de Elson Fróes. O lançamento dos livros será no dia 24 de junho, a partir das 19 horas, na Casa das Rosas, localizada na Avenida Paulista, n. 37, em São Paulo. Na ocasião, acontecerá também o Recital da Caixa Preta, com a presença dos autores e da poeta Virna Teixeira, que lançará em breve o livro Trânsitos, pela mesma coleção. A proposta da série, iniciada com dois livros de Horácio Costa, publicados em 2007 – Paulistanas e Homoeróticas – é apresentar ao leitor textos inventivos, inquietos, de autores que "realizam uma pesquisa poética imaginativa e com artesanato de linguagem", segundo o texto de frontispício dos livros. Os livros da Lumme Editor podem ser adquiridos em livrarias ou ainda pelo e-mail vendas@lummeeditor.com

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Sábado, Junho 14, 2008

SP: Nicolas Behr na Casa das Rosas

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O lançamento em São Paulo do livro Laranja seleta, antologia de poemas de Nicolas Behr publicado pela editora Língua Geral, será no dia 18 de junho, a partir das 19:00 horas, na Casa das Rosas (avenida Paulista, 37). A curadoria do evento é de Ésio Ribeiro, e Viviana Bosi (USP) fará a apresentação da poesia do autor.

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Quarta-feira, Junho 11, 2008

Biblioteca Girapemba: VIRNA TEIXEIRA

VIRNA TEIXEIRA


Referências


"A literatura entrou na minha vida muito cedo, por volta dos sete anos, com Cecília Meireles (Ou Isto ou Aquilo), Vinícius de Moraes (A Arca de Noé) e Monteiro Lobato. Leio muito desde a infância, cresci com muitos livros, li muita coisa: clássicos da literatura universal, poesia, psicanálise, etc. Difícil definir as referências literárias e as obras mais impactantes. Li muito Drummond, João Cabral, Clarice Lispector. Fiquei muito impressionada quando li T.S.Eliot, os poetas franceses (Rimbaud, Baudelaire). Mais tarde, Paulo Leminski, Ana Cristina César, Hilda Hilst, Caio Fernando Abreu, Orides Fontela. Depois os poetas norte-americanos: Emily Dickinson, Gertrude Stein, Elizabeth Bishop, Marianne Moore, William Carlos Williams. Também quando conheci o trabalho de tradução de Haroldo e Augusto de Campos. Robert Creeley teve um grande impacto, assim como Michael Palmer. Há alguns anos atrás descobri Edwin Morgan e outros poetas escoceses. Talvez exista um pouco de influência destes autores, mas a obra vai mudando a medida em que descobrimos leituras novas, a escrita é mutável".


Livros de cabeceira


"Estou lendo atualmente: O Cadoiro, livro de poemas da canadense Erín Moure; The philosopher’s pupil (romance) de Iris Murdoch; Archery: the art of repetition, de Simon S. Needham e The Neurobiology of Addiction (Koob & Le Moal)".


5 obras fundamentais


1) A autobiografia de Alice B. Tocklas - Gertrude Stein
2) Collected works - Edwin Morgan (Carcanet Press)
3) Sol negro e melancolia - Julia Kristeva
4) Destruição do pai, reconstrução do pai - Louise Bourgeois
5) Summer knowledge - Delmore Schwartz


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Abaixo, alguns poemas do paideuma de Virna: de Orides Fontela, Erín Moure, Edwin Morgan, e os últimos dois da própria autora. Virna Teixeira nasceu em Fortaleza (1971), é poeta e tradutora. Graduou-se em medicina, com mestrado pela Universidade de Edimburgo. Publicou os livros de poesia Visita (2000) e Distância (2005), organizou e traduziu um livro de poemas de Edwin Morgan, além de uma coletânea com diversos poetas escoceses. Participou de inúmeras antologias no Brasil e exterior, e tem colaborado com frequência em diversas revistas literárias. Atualmente, reside em São Paulo. Escreve no blog Papel de Rascunho.

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ORIDES FONTELA

Mapa


Eis a carta dos céus:
as distâncias vivas
indicam apenas
roteiros
os astros não se interligam
e a distância maior
é olhar apenas

A estrela
vôo e luz somente
sempre nasce agora:
desconhece as irmãs
e é sem espelho.

Eis a carta dos céus: tudo
indeterminado e imprevisto
cria um amor fluente
e sempre vivo.

Eis a carta dos céus: tudo
................................se move.


(in: Orides Fontela, poesia reunida - Cosac Naify)


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ERÍN MOURE


Uma motocicleta de verdade



Indizível. A palavra que reveste o
poema, que a cabeça
tenta extrair.
Às 6 h, o leão molhado. Sua face costurada de pelúcia
sobre o trilho da varanda na chuva.
Chuva pesada mais tarde, e talvez um temporal.
12 ou 13 graus.

Dentro: uma íris, vela, pôster de
Artemis de muitos seios em um chapéu de pedra
de Anatolia

Uma guitarra de pequeno pedal de aço

Uma fotografia dela em uma mesa ao lado do mar,
seu ombro obstruído pelo gerânio vermelho.
O mar que apesar de invisível pode ser farejado por um observador
Inacreditável ar salgado
na minha garganta quando a vejo.

"Subitamente você descobre que vai passar sua vida inteira
em desordem; é tudo que você tem; você deve aprender
com ela."


(fragmento do poema "A real motorcycle", traduzido por Virna Teixeira e publicado na atual edição da revista Zunái)

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EDWIN MORGAN


De uma Varanda da Cidade


Quantas vezes quando penso em você o dia se ilumina!
Nosso amor silencioso
vagueia no Glen Fruin com borboletas e cucos-
me traz a sonolência do campo! Deixe que flutue sobre o tráfego
pela janela aberta com uma nuvem de testemunhas-
uma queimadura cintilante, ovelhas brancas, a chama do junco,
os cucos chamando loucamente, a nuvem branca real sobre nós,
borboletas brancas sobre a sua mão na curta grama quente,
e então a testemunha era minha mão fechando na sua,
minha boca penteando suas pálpebras e seus lábios
muitas vezes até você suspirar e se voltar para o amor.
Seu peito e coxas estavam ardendo como o junco.
Eu cobri sua fogueira em silêncio ali.
Deixamos o dia envelhecer junto com a grama.
Era em silêncio que o amor estava.

Passos e testemunhas! Nesta varanda de Glasgow quem serve
alegria como a água da montanha? Ela enche, transborda outra vez
para baixo da terra árida e rodas implacáveis.
Quantas vezes eu pensarei em você, até
que nossos passos moribundos esqueçam esta luz, esqueçam
que um dia conhecemos o vale feliz,
ou que um dia eu disse, Nós devemos pular em direção ao sol,
e nós pulamos em direção ao sol.


(Ovelha negra, antologia de poesia da Escócia do século XX - tradução de Virna Teixeira)

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VIRNA TEIXEIRA


MEMORY LOST

Trigésimo andar: contempla a cidade, à noite. Deleção
de arquivos, memórias. Algumas ficam retorcidas no
pensamento como o prédio, de janelas góticas. Cativeiro.
Cinema Voltaire.

No parapeito, uma orquídea. Isolada contra o crepúsculo,
violeta. O contorno borrado dos prédios.

Um dia de sol. Casais passeiam no parque. Caminha entre
gansos. Crianças brincam no tanquinho de areia.

Hipocampo, estranheza de imagens. Esquinas, bifurcações.
Como se nunca tivesse, tantas vezes, caminhado ali.


(in: Antologia de poesia brasileira do início do terceiro milénio, organizada por Claudio Daniel e lançada em 2008, em Portugal.)


OUTONO

varanda
molhar plantas
pétalas

olhos debruçados
tarde cinzenta
vazia

pesam as pálpebras
a cidade

(poema publicado no livro Fin de siècle (2007) - coleção Chicas de bolsillo - Editorial de la Universidad Nacional de la Plata - edição bilíngüe)

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Quarta-feira, Junho 04, 2008

Grupo Noisette, em Londrina


Nos dias 13 e 14 de junho, o grupo Noisette (Bélgica) apresentará a peça "Além Mar", baseada no livro A Estalagem das Almas, das minhas queridíssimas (não me canso de dizer) Karen Debértolis e Fernanda Magalhães. O grupo vem de temporada na Antuérpia (há fotos no blog das autoras, que estiveram presentes à estréia) e se apresentará no festival FILO, em Londrina. Abaixo, o release da peça e, para quem estiver em Londrina, corra porque os ingressos para o festival são bastante disputados!
Sucesso, meninas!!!


ALÉM MAR

13 e 14 de junho de 2008
21h
Companhia: Grupo Noisette ( Bélgica )
Local: Usina Cultural (Av. Duque de Caxias, 4159) - Londrina.


O grupo percorre, como num jogo de amarelinhas, 13 quartos de uma estalagem entre o “fim do mundo” e o deserto, guiados pela mão invisível do senhor desse lugar. Várias histórias dentro de uma única história. O projeto partiu de experiências dos integrantes do grupo na condição de estrangeiros num continente distante de sua terra. O espetáculo é baseado no livro “A Estalagem das Almas”, de Karen Debértolis e Fernanda Magalhães, de Londrina.


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Terça-feira, Junho 03, 2008

TONY GATLIF




(O cinema de Tony Gatlif: Exílios, Lubna Azabal, Gadjo Dilo, Rona Hartner, Transylvania, Asia Argento, Vengo, Je suis né d´une cigone,..., ah, Roman Duris!)

[da série: diretores e filmes que Amamos]

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Nova edição da Conexão Maringá


Acaba de entrar no ar a nova edição da Conexão Maringá, ótima revista de arte e literatura capitaneada pela querida Valéria Eik. Entre os quitutes estão os contos de Beatriz Bajo e Nilto Maciel, poemas de Floriano Martins e Vicente Franz Cecim, artigos de Adelto Gonçalves e Nilson Oliveira, além da tradicional coluna da Alice Varajão. Eu participo deste edição com dois poemas que podem ser acessados diretamente [aqui]. Isso e muito mais...., onde?

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Pletórax em Santa Maria-RS

(clique na imagem para ampliá-la)


PLETÓRAX
pocket show poético do Marcelo Sahea
anotem: dia 09/06, as 19 horas, no auditório da CESMA
Rua Professor Braga, 55 - f: (55)3221-9165
Santa Maria - RS

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Sábado, Maio 31, 2008

Um conto nas suicidas

convitinho: foi publicado um mini-conto meu lá no site das Escritoras Suicidas.

O link direto para o conto está em:
http://www.escritorassuicidas.com.br/edicao26_6.htm#anaramiro26.

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Quinta-feira, Maio 29, 2008

Persona



[da série: diretores e filmes que amamos]

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Quarta-feira, Maio 28, 2008

A poesia nômade e profética de Luís Serguilha:uma experiência musical

(foto: 40 part motet - Janet Cardiff e George Bures Miller - centro de arte contemporânea Inhotim)


A poesia nômade e profética de Luís Serguilha: uma experiência musical

Ana Maria Ramiro


Há alguns meses, em visita ao centro de arte contemporânea Inhotim, localizado nas proximidades de Belo Horizonte, tive a oportunidade de conhecer o trabalho da artista plástica canadense Janet Cardiff, uma instalação muito interessante chamada "40 Part Motet" que consiste numa sala onde 40 colunas-caixas de som, dispostas de forma circular, reproduzem uma peça musical barroca para coro, Spem in Alium (século XVI), do compositor Thomas Tallis. Cada voz foi gravada individualmente e depois agrupada em oito grupos compostos por quatro vozes masculinas (baixo, barítono, alto e tenor) e uma voz infantil (soprano). Tem-se, ao ouvir cada uma das vozes individualmente, a percepção do efeito sonoro total, criando inclusive uma nova geografia do espaço ao instituir a necessidade de deslocamento, de seguir cada voz que inicia o seu canto personalíssimo, num tom único em relação ao grupo. Além disso, como a peça volta a ser executada minutos depois de seu término, o tempo (ou a ausência dele) passa a ser um elemento significativo, uma vez que marca um ritmo em loop, o que possibilita uma alteração na percepção habitual do espectador-ouvinte acostumado ao tempo mundano (cronológico), gerando um impacto físico, visual e intelectual muito forte.

Nesse momento, imaginei (confesso) o quanto a arte poética perdia em relação às artes visuais, já que aquela opera num campo bidimensional e por mais que se apregoe as possibilidades da folha em branco, é raro encontrar um poeta que as explore com o gênio necessário para superar as próprias limitações do meio. Ainda mais restrito e limitado é o alcance de uma análise que venha a se debruçar sobre a obra deste ou daquele poeta, mas aqui devo me arriscar, pois comecei falando da sound-art de Janet Cardiff para chegar na poesia de Luís Serguilha, poeta português nascido na região do Porto, em Vila Nova de Famalicão, e cuja obra prolífica guarda linhas de contato com a instalação da artista canadense.

Recentemente, recebi cinco livros de Luís Serguilha: Lorosa´e - boca de sândalo (2001), O externo tatuado da visão (2002), O murmúrio livre do pássaro (2003), A singradura do capinador (2005) e Hangares do vendaval (2007). Da leitura atenta dos livros, reconheci imediatamente algumas sensações e idéias desenvolvidas frente à instalação de Janet Cardiff, em Inhotim. A poesia de Serguilha, com seus temas elementais, distribuída em versos heterométricos entremeados por vazios lacunares, invoca para além de meras alegorias um espaço original, intemporal que se desenvolve por meio da própria leitura. Ao leitor é dado o impulso para um deslocamento nômade ao longo dos versos, que se desdobram num processo autógeno, um verso repercutindo o próximo como numa ampla sala de espelhos. As palavras, por sua vez, apresentam uma concretude que as desnuda de simbolismos usuais e particulares (já desgastados), mostrando-as em toda sua plenitude semântica: são bocas, rochas, florestas, pátrias, estações, cornucópias, que apresentam a força inerente a uma fala mântrica. Nesse contexto, a poesia de Serguilha equipara-se à linguagem profética, uma vez que retira o presente e se volta para fora (devir) ao instituir uma fala errante e interminável que se opõe a toda estabilidade e todo repouso, recusando a tentação de um mundo estático e fechado.

O murmúrio livre do pássaro e A singradura do capinador já denotam a partir de seus títulos o anseio por esse movimento constante, a busca por "um espaço sem lugar e um tempo sem engendramento", como menciona Maurice Blanchot em ensaio sobre a palavra profética. Para Blanchot, esse espaço p(r)o(f)ético seria ainda equiparado ao deserto, onde se "pode apenas errar, e o tempo que passa nada deixa atrás de si, é um tempo sem passado, sem presente, onde o homem nunca está, mas está sempre fora", e completa: "Língua de transporte e de arrebatamento. Algo aqui se desenvolve na violência abrupta, dilacerante, exaltante e monótona de um perpétuo recurso impetrado pelo homem nos confins do seu poder". Mas se o contexto original do discurso profético surge em relação a uma "aliança" e uma "terra prometida" que libertariam o indivíduo de sua condição anterior (de opressão), no texto de Serguilha o caráter nômade decorre da própria escritura, de sua estrutura fluida, labiríntica, operando um pacto com o leitor e liberando-o do jugo da rigidez formal.

Num mundo esvaziado de sentido, a poesia de Serguilha encontra esteio sobretudo na força imanente de cada palavra. Em Lorosa´e - boca de sândalo, a palavra "maubere", que representa tanto o povo adventício quanto a língua falada em Timor, será empregada em anáfora ao longo do texto como forma de lhe dar um uso simbólico e dotá-lo de força. Não se está tentando criar aí uma história, o ritmo empregado não alude ao tempo cronológico, mas ao cíclico, o das estações, o tempo da respiração e da natureza das coisas. Com isso, o poeta retoma o tempo mítico (uma proto-história), buscando no caldeirão fumegante das origens ("No labor desconhecido dos oleandros a alquimia dos guerreiros/ outros albúmens/ e/ o humo das amoras graciosamente na volátil origem") a força daquilo que ainda será gerado, o que está por vir.

Desta forma, percorrer o caminho traçado por Serguilha (e Janet Cardiff, por extensão) significa desabituar os sentidos, procurar o insondável, o impossível, assim como o capinador que singra mares (de palavras), é perseguir uma dissonância intrínseca a cada verso (a cada voz), especialmente em Hangares do vendaval, pelo uso de letras em caixa-alta e fontes de tamanhos diversos sinalizando graficamente uma alteração na força sonora imaginada para algumas palavras e sintagmas, é aceitar o pacto e perder-se em labirintos barrocos e, sobretudo, dar movimento às roldanas libertando o vendaval de seus hangares.



Mais sobre 40 part motet

Inhotim-centro de arte contemporânea

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Terça-feira, Maio 27, 2008

Ademir Demarchi: Os mortos na sala de jantar

(foto: Deborah Lattimore)

EPITÁFIOS


epitáfios são epígrafes
de histórias que continuam
túmulo adentro


RELICÁRIO

milhões de ossos
sem identificação

que lixo

mas ah
um fragmento de tíbia
de santa tereza

que gozo
.
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(Ademir Demarchi, Os mortos na sala de jantar, 2007, editora Realejo)
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Quinta-feira, Maio 22, 2008

Pedro Aznar - Más allá

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Quarta-feira, Maio 21, 2008

A Laranja seleta de Nicolas Behr


Nos encontramos alguma vezes, assim por acaso, em eventos literários, lançamentos, coisa e tal. Nicolas!, e ele, super polido, Ana...Ramiro?! Para quem não o conhece (se isso for possível), Nicolas é lendário por aqui, com seu tipo alto, nórdico (o nome, Nikolaus von Behr, não nega a ascendência alemã), carismático e extremamente simpático, é parte inalienável da cultura brasiliense. Sim, não venham os matogrossenses exigir direitos de sangue, não senhor, a poesia do Nicolas é coisa da terra, literalmente (Nicolas criou a primeira ONG ambientalista da capital federal). Bem, nos reencontramos há pouco, na visita do poeta americano Jon Woodward (falarei sobre ele em breve) a Brasília, encontro esse que poderia ter se estendido madrugada afora não fosse o fato de Nicolas ter que levantar bem cedinho (sim, poetas também acordam cedo!) para bater o ponto no seu bonito viveiro Pau-Brasília, do qual sou cliente de carteirinha. Também ando freguesa da poesia dele, o novo livro Laranja seleta, antologia dos seus 30 anos de poesia, que ando lendo no sofá da sala, em horas tranqüilas...e que deixo escorrer (o sumo de alguns gomos) por este post. Degustem.


LIÇÃO DE AMIZADE


inácio era índio e meu melhor amigo

rejeitado pelos outros brancos
inácio nadava comigo pescava comigo
fazíamos a lição juntos

aprendemos a lição?

eu nunca me esqueci de inácio
inácio tenho certeza
nunca se esqueceu de mim

por onde anda inácio?
por onde ando eu?

• • •

quando deixo o meu amor impossível na rodoviária,
de noitinha, meus olhos compridos seguem-na até perdê-la
no turbilhão das gentes

imagino meu amor impossível na fila do ônibus, altiva,
altaneira, orgulhosa de si e de mais um dia de trabalho

os olhares em direção ao meu amor impossível são muitos
— olhares de cobiça como os meus (o olhar dos famintos)

alguém oferece ao meu amor impossível
um pastel, um caldo de cana ou um chocolate
hoje não, outro dia (meu amor impossível é educadíssima!)

meu amor impossível entra no ônibus, passa pela catraca
— o cobrador finge que separa o troco mas olha os seios do
meu amor impossível, de soslaio, exatamente como eu faço


(poemas de Nicolas Behr, do novíssimo Laranja Seleta, editora Língua Geral, 2008 - antologia 1977/2007)

• • •

POETA MARGINAL? EU, HEIN?


não nasci em montes claros. não tenho nome completo. não sou professor. não consegui conciliar nada com a literatura. nunca publiquei nada. atualmente não resido em porto alegre. não me chamo eduardo veiga. não escrevo poesia há mais de 15 anos. não estou organizando meu primeiro livro. não sou graduado em letras. não acredito que a poesia seja necessária. não estou concluindo nenhum curso de pedagogia. não colaboro em nenhum suplemento literário. não estou presente em todos os movimentos culturais da minha terra. não sou membro da academia goiana de letras. não trabalho como assessor cultural da sec. meus pais não foram ligados ao cinema. não tenho tema preferido. não comecei a fazer teatro aos 12 anos. não me especializei em literatura hispano-americana. não tenho crônicas publicadas n’o republica de lisboa. não passei minha infância em pindamonhangaba. não canto a esperança. não recebi nenhuma premiação em concurso de prosa e poesia. não tenho sete livros inéditos. não sou considerado um dos maiores poetas brasileiros. nunca fui convidado para dar palestras em universidades. não vejo poesia em tudo. não faço parte do grupo noigrandes. não me interesso por literatura infantil. não sou casado com o poeta afonso ávila. na minha estréia não recebi o prêmio estadual de poesia. o crítico josé batista nunca disse nada a meu respeito. não sofri influência de bilac. não sou ativo, nem dinâmico. não me dedico com afinco à pecuária. não sou portador de vasto curriculum. não recebi mensão honrosa no concurso de poesia ferreira gullar. não exerço nenhuma atividade docente, nem decente. não iniciei minha carreira literária no exército. não fui a primeira mulher eleita para a academia acreana de letras. não tenho poesias traduzidas para o francês. não estou incluído numa antologia a ser publicada no méxico. minha poesia não é corajosa. não gosto de arqueologia. walmir ayalla nunca me considerou um revolucionário. nunca tentei compreender o homem na sua totalidade. não vim para o brasil com 5 anos de idade. não aprendi russo para ler maiakowski. meu pai não é chileno. não sou virgem, sou capricórnio. não sou mãe de seis filhos. nunca escrevi contos. não me responsabilizo pelos poemas que assino. não sou irônico. não considero drummond o maior poeta da língua portuguesa. não gosto de andar de bicicleta. não sou chato. não sei em que ano aconteceu a semana de 22. não imito ninguém. não gosto de rock. não sou primo dos irmãos campos. não sou nem quero ser crítico literário. nunca me elogiaram. nunca me acusaram de plágio. não te amo mais. minha poesia nunca veiculou nada. não sei o que vocês querem de mim. não espero publicar nenhum romance. não sou lírico. não tenho fogo. não escrevi isto que vocês estão lendo.


Mais sobre o poeta em:
http://www.nicolasbehr.com.br/

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Segunda-feira, Maio 19, 2008

ZUNÁI no ar!

ZUNÁI, REVISTA DE POESIA E DEBATES EDIÇÃO XV, MAIO/2008:


Toda língua é poesia, entrevista com a poeta canadense Erin Moure

Berlim, 1936; Pequim, 2008 (editorial)

Quando o olho é uma câmera e a mente edita imagens: poemas, textos, sons e imagens de cinepoesia

A poética sincrônica de Haroldo de Campos, ensaio de Cilene Trindade Nascimento

O vôo suspenso do tempo (sobre Walter Benjamin), ensaio de Maria João Cantinho

Rainer Maria Rilke e August Stramm traduzidos por Augusto de Campos

Chiyo Ni traduzida por Alice Ruiz

César Vallejo em videotradução e musicotradução

Carta de Lisboa, por Maria Alexandre Dáskalos

Contos de João Filho, Márcia Bechara, Greta Benitez, Silvana Guimarães, Bruna Piantino, ilustrados por Sônia Alves Dias.

Poemas de Jean-Paul Michel (França), Odete Costa Semedo (Guiné-Bissau), Alan Mills (Guatemala), Sérgio Rios (México), Joana Corona (Brasil) e muitos outros.

Zunái, Revista de Poesia e Debates:
http://www.revistazunai.com.br/

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Quinta-feira, Maio 15, 2008

Lorosa´e, boca de sândalo - Luís Serguilha

Timor
já te chamam fábula sentada..mira de Fernão Lopes no amianto das
salamandras
alegoria vigiada.....sussurro a espreguiçar-se nas rcordações das
residências......sagrado vestido de crocodilos aéreos
mas a ilha de água irisada.....deseja a originária senda....o néctar
furioso a prolongar-se
nos cabelos negros....os galhos intermináveis que lascam o mar....a
profusa matéria...a sarça anilada de rolas
sorvendo a seda ancestral.....o tutano cortante do café
E
anonimamente deslizar na ninfa ocasional da incansável serra onde
o sol é a fêmea que mistura minuciosamente as vidas

Pinta das hortências levada pela maternidade da maré.....poiso
recôndito a vagabundear....as mãos afastam-se ao perfurarem outra
bruma perfumada pelas banheiras rupestres
....................flectindo nos arreios das uvas....o sabor vive no
recomeço microscópico


(poema de Luís Serguilha, publicado no livro Lorosa´e - Boca de sândalo, Campo das Letras, 2001)

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Quarta-feira, Maio 14, 2008

Teorema



[da série: diretores e filmes que amamos]

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Segunda-feira, Maio 12, 2008

Lançamento duplo: Coyotes 16 e 17



A revista COYOTE, uma das mais importantes publicações culturais do país, acaba de lançar duas edições simultâneas (16 e 17) numa saborosa overdose que você não pode perder por nada. Aí embaixo segue um resumo do conteúdo de cada edição. Ah, e eu participo da edição 16 com traduções de poemas da argentina Alejandra Pizarnik.

Depois de ver o que Ademir, Rodrigo, Marcos e Maurício selecionaram nestas duas novas edições, não restará outra opção a não ser correr para a livraria ou encomendar as revistas no site da Iluminuras. O caminho das pedras está no finalzinho deste post.


OS UIVOS


A 16ª edição da Coyote traz entrevista do cartunista Marcatti a Ademir Assunção onde fala sobre seu processo criativo e da parceria com Glauco Matoso em Glaucomix. A revista também publica poemas de uma das mais importantes poetas latino-americanas do século 20, a argentina Alejandra Pizarnik (1936-1972), traduzidas por mim, e do poeta contemporâneo canadense Robert Melançon, traduzido pela professora Jerus Pires Ferreira. O número ainda presta homenagem à obra poética de Marcos Prado (1961-1996), com uma mini-antologia de sua obra em apresentação de Tadeu Wojciechowski, além de poema de Adalberto Müller, contos de Nelson de Oliveira e Miguel Sanches Neto. A capa (e um ensaio) é do fotógrafo e historiador de fotografia Boris Kossoy, a contracapa é do Beto e o belo projeto gráfico, como de praxe, é assinado pelo Marcos Losnak.

Quer mais? Então tá!

Um dos destaques da Coyote 17 é o dossiê "Caçador de Diferenças", com o escritor Andrei Codrescu (Romênia, 1946) em entrevista feita a Rodrigo Garcia Lopes, além da tradução de quatro capítulos de seu livro (prosa) Zoombification, traduzidos por Kátia Hanna. Essa edição apresenta também os poemas do escritor chileno Roberto Bolaño, textos de Rubens K. e Ricardo Carlaccio, poemas da modernista norte-americana Gertrude Stein (1874-1946) traduzida e apresentada por Luci Collina, e a antologia Veludo Negro, com Ana Rüsche, Bruna Beber, Izabela Leal, Lígia Dabul, Luana Vignon e Monica Berger. O desenhista Carlos Carah também mostra seus traços, num número que tem ainda a poesia visual de Vinícius Lima e poemas de Fernando Karl. Na Contracapa, o Movimento Contra a Lei Seca.

O que você está esperando?
COYOTE é uma publicação da Coyote Edições, editada por Ademir Assunção, Marcos Losnak, Maurício Arruda Mendonça e Rodrigo Garcia Lopes. Projeto gráfico de Marcos Losnak.
Tem periodicidade trimestral e distribuição nacional (em livrarias) pela Editora Iluminuras. Tiragem de 1 mil exemplares.

COYOTE 16 e 17// 52 pgs. // R$ 10
Vendas em livrarias de todo o país ou pelo site: http://www.iluminuras.com.br/
email: revistacoyote@uol.com.br

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Sábado, Abril 26, 2008

Lançamento: O novo conto catarina

(clique na imagem para ampliá-la)

LANÇAMENTO DO LIVRO "O NOVO CONTO CATARINA"
(org. Regina Carvalho) - Editora UFSC
Dia 29/04/2008, às 19:00 horas
no Hall da Reitoria da UFSC
Campus Universitário - Trindade
Florianópolis - SC

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Quarta-feira, Abril 23, 2008

Sylvia Plath

(Maggie Taylor)

A CHEGADA DA CAIXA DE ABELHAS
(Sylvia Plath)

Eu mesma pedi, esta caixa de madeira
Branca e quadrada como uma cadeira, pesada demais.
Diria que é o esquife de um anão
Ou de um bebê quadrado
Não fosse o rumor que vem de dentro.

Está fechada agora, é perigosa.
Devo zelar por ela a noite inteira
E não posso me afastar.
Não há saída, é impossível ver o que há nela.
Só uma pequena tela, sem janelas.

Espio pela fresta.
Tudo escuro, escuro,
Pelo enxame zangado de mãos africanas
Miúdas, prensadas para exportação,
Negro no negro, escalando com ira.

Soltá-las, quem dera?
O zumbido é o que mais me apavora,
As sílabas incompreensíveis.
São como uma turba romana,
Não são nada sozinhas, mas juntas, meu deus!

Ouço ansiosa esse latim furioso.
Não sou um César.
Só encomendei uma caixa de maníacas.
Posso devolvê-las.
Ou deixá-las morrer, sou a dona, não preciso alimentá-las.

Imagino quanta fome sentem.
Imagino se me esquecessem
Se eu abrisse a tampa e recuasse e virasse árvore.
Há um laburno, com suas colunas louras,
E anáguas de cereja.

Podiam de repente me ignorar
Em meu véu funerário, em meu vestido lunar.
Não sou fonte de mel.
Por que dão voltas em mim?
Amanhã serei o doce deus, vou soltá-las enfim.

A caixa é apenas temporária.


(tradução: Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Mendonça, em: Sylvia Palth, poemas, ed. Iluminuras, 2007)

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Domingo, Abril 13, 2008

AUREAMUSARONDINAALÚVIA

AUREAMUSARONDINAALÚVIA
(Um Tributo à Poesia Concreta)


Dia 15 de abril


Abertura: Som Cor Som

Recital com Lenora de Barros, Frederico Barbosa, Claudio Daniel, Ricardo Aleixo, Mônica Costa, Yun Jung Im, Michel Sleiman, Elson Fróes, Marcelo Tápia, Lúcio Agra.

Exposição de livros e revistas concretistas.

Horário: 19h30
Local: Casa das Rosas - SP


Dia 16 de abril

Palestra de Boris Schnaiderman. Apresentação: Frederico Barbosa.

Horário: das 14 às 15h30
Local: sala 107 da FFLCH (USP)


Dia 17 de abril

Debate: A Poesia Concreta e a Crítica Literária Brasileira

Com Roberto Zular e Antônio Vicente Pietroforte. Mediação: Aurora Bernardini.

Horário: das 14 às 17h
Local: sala 107 da FFLCH (USP)


Dia 18 de abril

Encerramento: Cor Som Cor

Show de Edvaldo Santana

Apresentação dos vídeos Poetas de Campos e Espaços e Galáxia Haroldo.

Exposição de livros e revistas concretistas.

Horário: 19h30
Local: Casa das Rosas

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Quarta-feira, Abril 09, 2008

Zona Branca

Zona Branca é um presídio, uma colônia prisional localizada num limbo em outra dimensão do espaço-tempo e de onde as chances de fuga são mínimas, mas não impossíveis...um dos detentos consegue escapar e escreve um livro de poesia! É também um título extraído da ópera-rock Joe´s Garage, do Zappa, e enfim, o nome do ótimo livro do poeta Ademir Assunção.
Ademir é um desses poetas para quem a poesia ainda pode fazer diferença num mundo de individualismo desenfreado e selvageria midiática. É o poeta sobrevivente que recolhe por entre os escombros da sociedade o material corrosivo (pós-hecatombe) com que faz seus poemas. Zona Branca é um manual de sobrevivência contra a banalidade, a mesmice no fazer-poético e, para isso, Ademir não tem medo de qualquer contaminação (leia-se contágio), deixa de ser o poeta meramente observador e se torna o poeta correspondente de guerra, o poeta-blues (in the middle of the crossroad), o poeta-zen, o "anjo louco da história".
Ademir e sua Zona Branca têm me acompanhado nos últimos tempos...ele, Piva, Glauco, Rufatto, Plínio Marcos, Leminski, Orides, mas sobre isso eu falo mais tarde.


O COISA RUIM


me querem manso
cordeiro
imaculado
sangrado
no festim dos canibais

me querem escravo
ordeiro
serviçal
salário apertado no bolso
cego mudo e boçal

me querem rato
acuado
rabo entre as pernas
medroso
um verme, pegajoso

mas eu sou osso
duro de roer
caroço
faca no pescoço
maremoto, tufão, furação

mas eu sou cão
lato
mordo
arreganho os dentes
incito a revolta dos deuses

toco fogo na cidade
qual nero
devasto o lero lero
entro em campo
desempato

eu sou o que sangra
um poeta nato


(Ademir Assunção - Zona Branca, Travessa dos Editores)

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Terça-feira, Abril 08, 2008

Em Porto Alegre: Mafuá de Malungo

(Dione Veiga Vieira. CASA&CORPO, 2008. Imagem Digital)


MAFUÁ DE MALUNGO:
Bate-papo entre a artista-plástica Dione Veiga e o poeta Ronald Augusto

9 de abril de 2008, quarta-feira, 19h
Na Palavraria – Livraria-Café - Porto Alegre


Dione Veiga Vieira, artista plástica e visual, atua na área desde os anos 80, com participações em diversas exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior. Publicou em 1983 um livro de poemas baseado nas idéias de haikais e dos ideogramas orientais, combinando páginas de pequenos escritos com outras contendo traçados próximos aos caligramas da poesia concreta. Muitos desses poemas, escritos em seu livro Matiz de Estação – poemas & poemas, constaram na famosa colagem poética de Patsy Cecato, Escondida na Calcinha – peça que permaneceu dois anos em cartaz em Porto Alegre, e um ano no Rio, em meados dos anos oitenta. Para Dione, essa época foi um tempo em que as ressonâncias da censura dos anos de chumbo – sobre a literatura e a música – ainda impregnavam as expressões do erotismo feminino de um forte sentido político. Sobre esses temas Ronald e Dione estarão conversando nesta primeira edição de 2008 do Mafuá de Malungo.

O projeto Mafuá de Malungo, concebido por Ronald Augusto, prevê um encontro por mês até o final desse ano, ocasião em que o poeta convidado conversará com Ronald a respeito de suas obras. Eduardo Degrazia, Oliveira Silveira, Ricardo Silvestrin, entre outros, são alguns dos malungos confirmados para conversar com Ronald Augusto nos próximos encontros.


Palavraria - Livraria-Café
Rua Vasco da Gama, 165 - Porto Alegre
(051) 3268-4260

mais informações: palavraria@palavraria.com.br

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Quarta-feira, Abril 02, 2008

Biblioteca Girapemba: DANIEL SAMPAIO

(Olho por olho - Augusto de Campos)

DANIEL SAMPAIO


Referências


"Certa vez um colega veio me visitar e aproveitei para lhe apresentar minha biblioteca. Entre desapontado e irritado, ele me chamou de sectário, praguejando com a alcunha de epígono (na pior acepção da palavra). As referências dele eram (são) totalmente diferentes das minhas, o que hoje me faz apagar as dúvidas então surgidas – coisa de 4 ou 3 anos. Mas não estou convicto do que leio; antes prefiro digerir a sugestão de John Cage (ChAnGE) e dizer: “não leio para me convencer, mas para mudar a mim mesmo”. Pois bem: as minhas referências se resumem basicamente à “obviedade” do paideuma concreto, visto, revisto e revisado ao longo destes 50 anos. E acredito que grande parte do que se escreveu, e que está basicamente fora dessa “tradição”, é dispensável, salvo aquilo essencialmente ligado à ruptura e à renovação do sensível (vide Um retrato do artista quando jovem e a Educação dos Cinco Sentidos). Pound, Mallarmé, cummings, Joyce, Rilke (dos poemas-coisa), Sousândrade, Kilkerry, Gregório, a poesia provençal, a vanguarda russa, etc. Poesia Pois é Poesia. E dentre todos: Augusto de Campos, a quem devo a lição do anonimato e a de sempre lutar por causa perdida.
Provavelmente a literatura me surgiu de família. Minha avó materna escrevia e lia muita coisa da bíblia cristã. Embora ela desconhecesse tecnicamente a literatura, a poesia etc., não poderia renegar sua presença (sua contribuição para a) em minha formação. Tenho um livro dela – sem pretensão alguma. Gostaria muito que ela soubesse ou tivesse vivido o que hoje acontece comigo; o choro seria escusável. Mas uma grande partida para a literatura, isto é, para a poesia (que daquela se separa) se deu com minha entrada no curso de letras da UFPB. Foi lá que conheci Amador Ribeiro Neto, hoje entre mestre e amigo. Foi ele quem me apresentou a Poesia Concreta; e de certa forma, devo a ele também, senão o início, ao menos a consolidação de minha formação.
Posso especificar algumas obras: Verso Reverso e Controverso (Augusto de Campos). Personae (Ezra Pound). Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis). Um Retrato do Artista Quando Jovem (James Joyce). Re-visão de Kilkerry (Augusto de Campos). Madame Bovary (Flaubert). Teoria da Literatura: formalistas russos (vários). ABC da Literatura (Ezra Pound). A Arte no Horizonte do Provável (Haroldo de Campos). Os Maias (Eça de Queirós). VIVAVAIA (Augusto de Campos). Etc."


Livros de cabeceira



"Sempre estou lendo o Augusto de Campos. E, atualmente, leio bastante James Joyce, tanto no original (com dificuldades) como em traduções. Leio também Música de Invenção, de Augusto de Campos, e Texto Sentido, de Lau Siqueira; e claro, já que sou advogado, os livros de Direito – que não vêm ao caso..."


5 obras fundamentais


1) VIVAVAIA – Augusto de Campos
2) Crônica do Viver Baiano Seiscentista – Gregório de Matos
3) Personae (ou a tradução: Poemas da Hucitec) – Ezra Pound
4) Madame Bovary – Gustave Flaubert
5) Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis
................................................................................


Abaixo, poemas de Ezra Pound, e.e.cummings e os últimos dois de autoria do próprio Daniel Sampaio. O poema visual que abre este post é Olho por olho (1964), de Augusto de Campos.
Daniel é poeta e reside em João Pessoa, PB. Escreve em seu blog Ninguagem e acaba de integrar a Antologia de Poesia Brasileira de Início do Terceiro Milênio, organizada pelo poeta Claudio Daniel, recém-lançada em Portugal.


EZRA POUND
(Os Cantos - trad. José Lino Grunewald)


Canto XLV


Com usura homem algum terá casa de boa pedra
cada bloco talhado em polidez
e bem ajustado
para que o esboço envolva suas faces,
com usura
homem algum terá paraíso pintado na parede de sua igreja
harpes et luz
ou onde a virgem receba a mensagem
e um halo projeta-se do inciso,
com usura
homem algum vê Gonzaga seus herdeiros e concubinas
pintura alguma é feita pra ficar
nem pra ela conviver
só é feita a fim de vender
e vender depressa
com usura, pecado contra a natureza,
sempre teu pão será rançosas códeas
sempre teu pão será de papel seco
sem trigo da montanha, sem farinha forte
com usura uma linha cresce turva
com usura não há clara demarcação
e homem algum encontra sua casa.
O talhador não talha sua pedra
o tecelão não vê o seu tear
COM USURA
não vai a lã até a feira
carneiro não dá ganho com usura
a usura é uma peste, usura
engrossa a agulha lá nas mãos da moça
E só pára a perícia de quem fia. Pietro Lombardo
não veio via usura
Duccio não veio via usura
Nem Pier della Francesca, Zuan Bellini não pela usura
nem foi pintada La Calunnia assim.
Angelico não veio via usura; nem veio Ambrogio Praedis,
Não veio igreja alguma de pedra talhada
com a incisão: Adamo me fecit.
Nem via usura St. Trophime
Nem via usura Saint Hilaire.
Usura oxida o cinzel
Ela enferruja o ofício e o artesão
Ela corrói o fio no tear
Ninguém aprende a tecer ouro em seu modelo;
o azul é necrosado pela usura;
não se borda o carmesim
A esmeralda não acha o seu Memling
A usura mata o filho nas entranhas
Impede o jovem de fazer a corte
Levou paralisia ao leito, deita-se
entre a jovem noiva e seu noivo
........................CONTRA NATURAM
Trouxeram meretrizes para Elêusis
Cadáveres dispostos no banquete
às ordens da usura

...............................................
e.e.cummings
(trad. Augusto de Campos)


na estrênua brevidade
Vida:
realejos e abril
treva, amigos

eu me lanço rindo.
Nas tintas fio-de-cabelo
da aurora amarela,
no ocaso colorido de mulheres

eu sorrisando
deslizo. Eu
na grande viagem escarlate
nado, dizendomente;

(Você sabe?) o
sim, mundo
é provavelmente feito
de rosas & alô:

(de atélogos e, cinzas)

.................................................................

DANIEL SAMPAIO


àquela que me atinge tigre
eu quero – só de dentes – amarmadilhas
e como ela derreia na relva
cobre do Cobre os olhos cobre com o braço sobre
que o ar queima e quer mais queimar,
amordaço, brônquios e sonhos, um sentimento míssil.

O AMOR EM DOBRAS


no espaço a que nós dois nos damos
as mãos que o espanto desperta um corredor
em dobras a dar-se a si seus contornos de dedos o elidir
de sua forma a sua mais prevista como se concha
a fechar-se à pérola que lhe cabe em linhas-lâminas a eliminar-se as frestas de suas próprias dobras


(in: Antologia de Poesia Brasileira do Início do Terceiro Milênio, ed. Êxodus, 2008 - org. Claudio Daniel)

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Segunda-feira, Março 31, 2008

TERÇAS POÉTICAS: Homenagem a Haroldo de Campos em BH


TERÇAS POÉTICAS

O projeto Terças Poéticas, parceria pública entre a Fundação Clóvis Salgado e o Suplemento Literário de Minas Gerais, inicia 2008 com a presença do poeta paulistano Claudio Daniel e homenagem a Haroldo de Campos (1929-2003), poeta, tradutor e um dos fundadores do movimento concretista brasileiro. A entrada é franca.

Data: 1º de abril de 2008
Horário: terça-feira, às 18h30
Local: Jardins Internos do Palácio das Artes, BH, MG
Entrada franca.
Informações: (31) 3236-7400


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Sábado, Março 29, 2008

A arrogância



Ele não gosta dos discursos de vitória. Suportando mal a humilhação de qualquer pessoa, assim que uma vitória se delineia em algum lugar, ele tem vontade de estar alhures (se ele fosse deus, reviraria constantemente as vitórias - o que aliás Deus faz!).
Transposta para o plano do discurso, a mais justa das vitórias se torna um mau valor de linguagem, uma arrogância: a palavra, encontrada em Bataille, que fala em algum lugar das arrogâncias da ciência, foi estendida a todos os discursos triunfantes. Sofro pois com três arrogâncias: a da Ciência, a da Doxa, a do Militante.
A Doxa é a Opinião pública, o Espírito majoritário, o Consensus pequeno-burguês, a Voz do Natural, a Violência do Preconceito. Pode-se chamar de doxologia (palavra de Leibnitz) toda maneira de falar adaptada à aparência, à opinião pública ou à prática.
Ele lamentava, às vezes, ter-se deixado intimidar por certas linguagens. Alguém lhe dizia então: mas sem isso você não teria podido escrever! A arrogância circula, como um vinho forte entre os convivas do texto. O intertexto compreende não apenas textos delicadamente escolhidos, secretamente amados, livres, discretos, generosos, mas também textos comuns, triunfantes. Você mesmo pode ser o texto arrogante de um outro texto.
Não é muito útil dizer: "ideologia dominante", pois é um pleonasmo: a ideologia nada mais é do que a idéia enquanto ela domina. Mas posso sublinhar subjetivamente e dizer: ideologia arrogante.

(Roland Barthes por Roland Barthes)

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